Insulina inalável e o inibidor empagliflozina são novidades para tratar a diabetes


Sanofi lança a insulina inalável chamada Afrezza que já é vendida nos Estados Unidos

A insulina foi a primeira medicação que tornou possível controlar os níveis de diabetes. Em 1920 os jovens canadenses Frederick Banting e Charles Best fizeram uma descoberta importante: sinalizaram que a insulina, proteína produzida pelo pâncreas ajudava às células do organismo a absorver a glicose circulante. 

No entanto, em 1921 foi descoberta a insulina e o diabetes que até o momento era uma doença desconhecida, foi identificado como uma complicação endócrina. A endocrinologista, Dra. Claudia Liboni, explica que para alcançar a eficiência no tratamento para o diabetes a insulina percorreu por diversos testes e formulações: 

“As primeiras insulinas eram produzidas a partir da extração do pâncreas de animais, sendo insulinas bovinas ou suínas. Elas causavam muitas reações alérgicas e, em alguns casos, perdiam a ação ao longo do tempo, pois os indivíduos que as usavam produziam anticorpos contra a substância”, pontua. 

Hoje já podemos encontrar uma variedade de insulinas para tratar o diabetes, cada uma com ação diferenciada respeitando as necessidades de cada paciente. Dentre as opções a médica cita como exemplo as insulinas ultralentas (sem pico de ação) e também insulinas de início e ação rápida, ultrarrápido. 

“Quando a insulina faz pico de ação, aumenta o risco de hipoglicemia (queda nos níveis de açúcar no sangue). Por isso, as insulinas mais novas não fazem pico. Nos Estados Unidos, há uma insulina inalatória ultrarrápida, que não chegou ainda ao Brasil”, acrescenta. 

Como atuam as insulinas inalatórias?

Há os pesquisadores que visam identificar uma insulina com ação mais duradoura no organismo e também os cientista que almejam a possibilidade do tratamento menos invasivo e indolor, como no caso da insulina inalatória. A Sanofi lançou uma insulina inalável chamada Afrezza

Com rápida absorção e constituída num pó bastante fino a medicação atinge o organismo por meio dos pulmões. De acordo com os pesquisadores quando o indivíduo inala a medicação com a ajuda de um aparelho o conteúdo é rapidamente absorvido em direção ao sangue. O tempo de chegada até a região sanguínea é de cinco a seis segundos, explicam os desenvolvedores. Para iniciar o tratamento com a insulina inalável o paciente precisa se submeter ao exame pulmonar. A medicação não é recomendada entre os indivíduos fumantes ou com quadro de doença pulmonar crônica. 

Medicamento oral inibidor SGLT-2

Outra novidade para o tratamento do diabetes mellitus 2 (DM2) são os inibidores SGLT-2, como o empagliflozina. Estudos associaram o consumo do remédio com o controle da pressão arterial e até a perda de peso. Quanto aos benefícios para emagrecer, a endocrinologista ressalta que os resultados não ocorrem em pacientes que não possuem diabetes tipo 2, pois não há o aumento da glicemia. 

“A medicação quando destinada aos pacientes com DM2 leva a perda de glicose (açúcar) pela urina quando a glicemia (açúcar no sangue) está alta e, consequentemente, melhoram o controle do diabetes e possibilita a perda de peso”, conclui a médica. 

Entre os benefícios apresentados pelo medicamento Jardiance (empagliflozina) a médica aponta um recente estudo em que o remédio apresentava resultados positivos na redução dos riscos de doenças cardiovasculares. “Isso significa que, sendo o paciente diabético e com problemas cardíacos, a medicação diminuiria o risco de morte”, completa. De acordo com a especialista o remédio foi o primeiro da classe a apresentar esses resultados. 

Quando o paciente necessita utilizar medicamentos orais ou a insulina?

A endocrinologista explica que o paciente com diabetes tipo 2 apresenta como principal característica a resistência insulínica, portanto, mesmo que produza a substância ela não reage como deveria. Alguns fatores são associados a esse tipo de complicação, como a obesidade/sobrepeso, má alimentação, sedentarismo e pré-disposição genética. “As medicações orais corrigem o problema, seja por melhorar a ação da insulina ou por aumentar a sua produção. Com o passar do tempo, o indivíduo portador de diabetes pode não produzir a insulina no próprio organismo, e por isso necessitar da aplicação da insulina para suprir a falta de produção”, orienta.

 

Participação da endocrinologista, Dra. Claudia Liboni

Atua no Hospital Santa Paula

 

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Referências:  

http://www.diabetesforecast.org/2015/jul-aug/insulin-innovations.html

Juliana Rodrigues