Hipotireoidismo e hipertireoidismo – Qual a diferença?


Problemas na tireoide afetam mais de 15% dos brasileiros e a maioria são mulheres

A glândula da tireoide é um pequeno órgão essencial para o bom funcionamento do nosso organismo. Ela é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que são essenciais para o metabolismo como um todo. Contudo, quando essa glândula não funciona da forma correta, pode prejudicar as funções de diversos órgãos.

“Pode haver problema tanto com relação à falta do hormônio tiroidiano (hipotireoidismo, Hipo=pouco), como pelo excesso (hipertireoidismo, HIPER: muito). Além disto há outros quadros de disfunção, como as tireoidites (inflamação da glândula) e os quadros de tumores (câncer de tireoide)”, explica a endocrinologista Claudia Chang, pós doutora em endocrinologia pela USP e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

O hipotireoidismo é caracterizado pela baixa produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4). De acordo com dados do IBGE, as mulheres possuem mais chances de desenvolver o problema, atingindo cerca de 10 vezes mais as mulheres do que os homens. Isso ocorre devido a Tireoidite de Hashimoto, a causa mais comum do hipotireoidismo (corresponde 95% dos casos), que ocorre com mais frequência no climatério (última menstruação antes da menopausa).

Por outro lado, o hipertireoidismo é caracterizado pela produção excessiva dos hormônios da tireoide, o que pode ser causado por alterações do sistema imune, como na Doença de Graves, uma doença autoimune, que ocorre quando o próprio corpo produz anticorpos contra a tireoide.

Além disso, os sintomas diferenciam as duas disfunções. Enquanto no hipertireoidismo todas as funções metabólicas estão exageradas, no hipotireoidismo as funções do organismo estão mais lentas, ou seja, os sintomas de hipotireoidismo podem ser resumidos em todos aqueles sinais de que o metabolismo está desacelerado. Já o hipertireoidismo indica irregularidade e aceleração no metabolismo.

“No hipotireoidismo ocorre a falta ou deficiência do hormônio tiroidiano, podendo levar aos seguintes sintomas: cansaço, fraqueza, sonolência, queda de cabelos, constipação intestinal (intestino preso) entre outros. Já nos quadros de hipertireoidismo há o excesso na produção ou da liberação do hormônio levando a irritabilidade, tremores, sudorese excessiva, emagrecimento, diarreia, taquicardia (aumento da frequência cardíaca), entre outros”.

A especialista explica que todas as alterações da tireoide podem ser tratadas se diagnosticadas rapidamente. Contudo, como os sintomas são comuns em outras doenças, boa parte das pessoas não conseguem identificar o problema. “O diagnostico é feito normalmente por exames laboratoriais (sangue e imagem em alguns casos). O tratamento vai depender da causa. Nos casos de hipotiroidismo administra-se o hormônio tiroidiano e nos casos de excesso de produção tenta-se reduzir o mesmo, seja com medicação, radio iodo ou cirurgia”, finaliza.

 

Dra. Claudia Chang

Doutora e Pós doutora em Endocrinologia pela USP. Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Professora e Coordenadora da Pós graduação em Endocrinologia do ISMD.

Fontes:

Instituto da Tireoide < http://www.indatir.org.br/p/home.html>

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia < http://www.endocrino.org.br/tireoide/>

Vanessa Ferreira