Estudos afirmam que Anastrozol ajuda a diminuir o risco de câncer de mama pela metade


O câncer de mama é a principal causa de morte das mulheres no Brasil. Dentre os tratamentos, o tratamento hormonal possui uma grande importância na hora de manipular a doença...

Estudos afirmam que Anastrozol ajuda a diminuir o risco de câncer de mama pela metade

O câncer de mama é a principal causa de morte das mulheres no Brasil. Dentre os tratamentos, o tratamento hormonal possui uma grande importância na hora de manipular a doença em pacientes que, ou já possuem o câncer de mama, ou encontram-se no grupo de risco. 

A respeito da doença metastática (quando o câncer parte do local de onde iniciou-se e se espalha), o tratamento mais indicado é realmente o hormonal. Pensando nisso, uma pesquisa feita no Reino Unido chegou à conclusão de que o medicamento Anastrozol ajuda a reduzir por mais da metade as chances de mulheres com alto risco de desenvolverem  câncer de mama acabarem tendo doença.  O Anastrozol é um medicamento que impede que o organismo produza estrogênio e vem sendo utilizado a mais ou menos dez anos no tratamento de mulheres na pós-menopausa com câncer de mama.

O estudo foi feito da seguinte forma: 4 mil mulheres foram escolhidas e divididas em 2 grupos (cada um dos grupos havia mulheres com risco de desenvolverem a doença). No grupo 1 as mulheres não foram medicadas com Anastrozol e 85 entre as 2 mil acabaram por desenvolver a doença.  Porém, no segundo grupo as mulheres receberam Anastrozol. O resultado? Apenas 40 das 20 mil mulheres que receberam o medicamento acabaram desenvolvendo o câncer de mama.   A pesquisa foi feita pela Universidade Queen Mary e foi publicada na revista Lancet.

O Anastrozol não permite que o hormônio estrógeno, responsável por conduzir o aumento do câncer de mama, se produza. Dentre os benefícios do uso do Anastrozol, está, além do preço acessível, o fato de que a lista de seus efeitos colaterais não é tão extensa como a dos outros medicamentos.  

Um outro estudo foi feito também utilizando o Anastrozol para tratar o câncer de mama  metastático. Nele foi feita a combinação de Anastrozol junto com o Fulvestranto e essa combinação foi considerada mais eficaz do que o uso do Anastrozol sozinho, por exemplo. Porém, é importante destacar que a dose de Fulvestranto foi baixa. 

Desenvolvido mais recentemente, o Anastrozol é um inibidor da enzima aromatase, ou seja, ele bloqueia a conversão de andrógenos adrenais em estrógenos. Toda a eficácia do Anastrozol no tratamento inicial de mulheres que já passaram pela menopausa foi avaliada em um outro estudo intitulado de “'Arimidex', Tamoxifen, Alone or in Combination". Os  resultados foram que as pacientes que utilizaram o Anastrozol tiveram maior tempo livre da doença e também uma menor ocorrência de alguns eventos adversos durante o tratamento. Esse estudo fez o Anastrozol ser mais recomendado e também ser o responsável pela substituição do Tamoxifeno. 

No entanto, aqui no Brasil ainda não existem muitos estudos publicados sobre a eficácia do Anastrozol no tratamento do câncer de mama em mulheres que já passaram pela menopausa. Essa falta de dados conclusivos, juntamente com a ausência de estudos que comparem as perspectivas do governo, dos planos de saúde e também dos pacientes, pedem a realização de um estudo de custo-efetividade, que envolva a realidade brasileira e dessa forma, ajude a responder essas questões e impulsionar melhores resultados em tratamentos de câncer de mama.

Em tais estudos foi considerado também que deve ser levado em conta o tratamento padrão para cada paciente. A única grande questão é se o medicamento irá ser capaz de reduzir a taxa de mortalidade causada pelo câncer de mama no Brasil. 

Carina Xavier