Crises alérgicas aumentam no inverno


Ambientes fechados e temperatura mais baixa são as principais causas

Quem sofre de alergia durante todo o ano tem as crises intensificadas nas estações mais frias. Os meses de Junho e Julho são campeões de queixas de crises alérgicas e isso ocorre devido as condições climáticas comuns do inverno, que causam espirros, congestão nasal, coriza, prurido e lacrimejamento, sintomas típicos de alergias respiratórias.

Dados da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia) apontam que 30% da população brasileira possui algum tipo de reação alérgica, sendo a rinite e a asma predominantes nesta época do ano.

“Neste período de outono-inverno, as alergias mais comuns são conjuntivite alérgica (o paciente apresenta lacrimejamento, vermelhidão ocular e coceira), rinite (os sintomas são: nariz escorrendo, espirros, coceira nasal, diminuição do olfato, obstrução nasal) e asma (que é caracterizada por chiado no peito, falta de ar e dificuldade para respirar, tosse, aperto no peito)”, explica a alergista e imunologista Dra. Priscilla Filippo.

Nessa época do ano, as pessoas passam muito mais tempo em ambientes fechados para se proteger do frio e utilizam casacos e cobertores que estão guardados há um certo tempo. Tudo isso, somado ao aumento da concentração de poluentes no ar, favorecem a exposição do alérgico a substâncias que causam a alergia, como fungos, ácaros, poeira, pelo e saliva de animais domésticos, mofo, bolor, entre outros desencadeadores, que são chamados de alérgenos.

A alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico, que se empenha em repelir as substâncias alérgenas do organismo, o que ocasiona os sintomas. O contato com o alérgemo é fator determinante para o surgimento das crises. Por isso, é importante, antes de mais nada, fazer o diagnóstico correto, tratar e evitar as crises. A boa notícia é que algumas medidas simples podem auxiliar a prevenir as crises.

Priscilla orienta que seja descoberta a causa da alergia, com a ajuda de um especialista e que seja evitado o contato com os desencadeadores das crises. Por exemplo, manter a casa sempre limpa e livre de poeira e mofo, evitar o uso de carpetes, tapetes e cortinas com tecido grosso, manter o ambiente arejado, com as janelas abertas sempre que possível e manter travesseiros e colchões impermeabilizados ou encapados. Além disso, é importante lavar as roupas e cobertores que foram guardados antes de usar.

A especialista esclarece que,  em casos mais graves, somente a limpeza do ambiente pode não ser suficiente, sendo necessário um tratamento mais complexo. “Alergia é doença crônica, tem controle dos sintomas. O tratamento é baseado no controle do ambiente, uso de medicamentos e vacina (imunoterapia específica) quando indicada (que é um tratamento a longo prazo, de 3 a 5 anos)”.

Para o tratamento da alergia são utilizados medicamentos específicos que podem auxiliar a redução dos sintomas durante uma crise. Eles são chamados de antialérgicos ou anti-histamínicos. Há também vacinas desenvolvidas especificamente contra o alérgeno, conhecida como imunoterapia.

Dra. Priscilla Filippo

Médica  especialista em Alergia e Imunologia pela Associação Médica Brasileira e Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia.

Fonte:

Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia: www.asbai.org.br

Vanessa Ferreira